Psicologia do Desenvolvimento


segundo Kohlberg

Para Kohlberg, tanto quanto para Piaget, a sequência de estágios por que passa a pessoa é invariante, universal, isto é, todas as pessoas de todas as culturas passam pela mesma seqüência de estágios, na mesma ordem, embora nem todos atinjam os estágios mais elevados. Em relação a Piaget, parece que Kohlberg apresenta uma conceituação mais precisa e discriminada dos estágios de moralidade, sob os quais também perpassa a dimensão da heteronomia-autonomia.

Os seis estágios de desenvolvimento moral propostos por Kohlberg estão incluídos em três níveis, o pré-convencional (estágios 1 e 2), o convencional (estágios 3 e4) e o pós-convencional (estágios 5 e 6). Para compreender os estágios convém primeiro entender-se o significado dos níveis

O nível pré-convencional é característico da maioria das crianças com menos de nove anos, de alguns adolescentes e de muitos criminosos adolescentes e adultos. O nível convencional é o da maioria dos adolescentes e adultos da sociedade americana (Colby & Kohlberg, 1984). Diríamos também que isso provavelmente ocorre em outras sociedades ocidentais, inclusive na brasileira (Biaggio, 1975, 1976), e talvez mesmo nas sociedades não-ocidentais (Snarey, 1985). O nível pós-convencional é alcançado por uma minoria de adultos (em torno de 5%), geralmente depois dos 20 a 25 anos. Convém notar que o termo convencional não significa que indivíduos nesse nível são incapazes de distinguir entre a moralidade e a convenção social, mas que a moralidade consiste de sistemas de regras morais, papéis e normas socialmente compartilhados. No nível pré-convencional os indivíduos ainda não chegaram a entender e respeitar normas morais e expectativas compartilhadas. As pessoas do nível pós-convencional geralmente entendem e aceitam as regras da sociedade, mas essa aceitação se baseia na formulação e aceitação dos princípios morais gerais que sustentam essas regras. Esses princípios às vezes conflituam com as regras da sociedade e, nesse caso, os pós-convencionais julgam de acordo com seus princípios de consciência, e não pela convenção.

Kohlberg e seus colaboradores identificaram o conflito cognitivo como o processo através do qual procede a maturação em direção a estágios mais elevados (Turiel, 1977). Blatt e Kohlberg (1975) descreveram técnicas de dinâmica de grupo através das quais a maturidade de julgamento moral pode ser estimulada. A técnica consiste, basicamente, em formar grupos de dez a doze pessoas de diferentes estágios de desenvolvimento moral para discutir dilemas hipotéticos, geralmente sob a coordenação de um psicólogo, professor ou orientador educacional, que conduz a discussão, chamando a atenção para argumentos típicos de estágios superiores propostos por elementos do grupo ou pelo próprio coordenador. Essa técnica, constando de várias sessões semanais durante o semestre ou ano letivo, tem tido sucesso em obter a progressão para estágios mais elevados. Programas de educação moral em vários ambientes escolares têm utilizado essa técnica (Gibbs et al., 1984; Berkowitz, 1985), inclusive no Brasil (Biaggio, 1985; Rodrigues, 1977).

Os debates com os dilemas criam supostamente um conflito cognitivo, que leva ao amadurecimento do raciocínio moral. O conflito cognitivo é conceito semelhante ao de desequilíbrio em Piaget (Inhelder & Piaget, 1958). Refere-se ao fato de que as pessoas experimentam desconforto quando defrontadas com opiniões mais amadurecidas do que a sua própria. Esse conflito gera amadurecimento e modificação das opiniões em direção a estágios mais avançados de desenvolvimento cognitivo ou moral.